segunda-feira, 14 de setembro de 2009

autômato


Uma borboleta

pousou cansada no arame,

no arame de uma cerca eléctrica.

Um mendigo,

deitado sobre seu gelo

dormindo sobre seu trono

não foi esquecido

foi aquecido

por fagulhas,álcool e cegueira

de "mãos superiores",

aquecido demais...

Alguém chora no banheiro

de um prédio qualquer

de um andar qualquer

de um departamento qualquer

A essa hora alguém foi embora

daquela casa

daquele bairro

dessa cidade...

Sorrisos adiados

vazios preenchidos com suspiros

vidinhas sempre vidinhas

Relógios,

empregados do tempo

vidinhas sempre vidinhas

escravas dos empregados

Nuvens misturam-se com fumaça

gotas sujas perseguem

os sonhos tenros

dos meninos que crescem sozinhos...

e suas alegrias rabiscadas lá fora,

pedem abrigo

pois sabem que não serão nada depois da chuva.

Cabeças brancas e cabeças burras

todas no mesmo ônibus

sociedade formada nos quilômetros

de silêncio

dos vizinhos diários

e os hálitos em suas bocas,

que tem o céu como prisão

talvez nunca saberão

que o grande infinito está à alguns

centímetros

entre a fala e audição.



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